Neste blog, vou passar fazer todo aquele trabalho que habitualmente tenho vindo a distribuir por vários blogs. Dar descanso aos velhos....

06
Mar 15

 

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Igreja paroquial de São Martinho de Vale de Bouro (Celorico de Basto)

          A superstição existe onde a insegurança campeia e o desconhecido seduz, subjugando a inteligência humana. Não é uma fatalidade, mas um facto que teve origem no inicio da nossa civilização e com ela há de morrer. Engana-se quem pense que só as pessoas incultas acreditam no impossível. Não. A crendice povoa a mente de todas as pessoas e classes sociais. Até aqueles que dizem não ser supersticiosos de vez em quando lá vão fazendo uma figa, ou então, como adorno, usam ao pescoço um amuleto, nem sempre de bom gosto. Mas vamos ao tema que escolhi para este post, começando por pedir ao autor de "Um Buraco no Inferno" que rectifique a naturalidade do heresiarca João Pinto que é São Martinho de Vale de Bouro, sim, mas do concelho de Celorico, e não de Mondim de Basto. Fora isto há que louvar quem da região do Oeste de Portugal vem arrancar da poeira do tempo, pedaços de história que adormecidos no baú do esquecimento dizem respeito à sedutora região Basto.

De forma romanceada, o autor descreve-nos a história de um lavrador de Vale de Bouro que em meados do século XVIII engendrou uma cosmovisão e uma escatologia que conquistou simpatizantes seduzidos pela promessa de penetrarem nos mistérios insondáveis do após a morte, mas ainda mais, no descobrir os lendários tesouros que a serra dos montes Farinha escondem.

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Aldeia de Vilarinho – Vilar de Ferreiros (Mondim de Basto)

          Para rampa de lançamento das suas teológicas convicções messiânicas, o feiticeiro João Pinto, escolheu um lugar afastado da sua terra e dos olhares de quem pusesse em causa o seu poder sobrenatural. Vilarinho, uma aldeia encravada nas abas da "montanha sagrada de Basto" foi o sítio azado para se afirmar. Aqui lança as raízes do que prometeu ser uma nova doutrina de que se dizia encarregado de propagar; e a verdade é que conseguiu cativar aderentes na comunidade local. Planou durante algum tempo com a magia das suas promessas e fantasias sobre a cabeça crendeira dos seus iludidos aderentes que teve, entre outros, num Diogo Francisco, num António Gaspar, num Manuel da Silva Carvalho, e numa Maria José Alves e sua irmã Francisca.

Apenas deixou de planar, e aterrou, quando se começou a perceber que o buraco de inferno…., em vez do Monte Farinha, era o "quintal" da mulher de um alfaiate da localidade. As cosmovisões atraiçoaram-no e a descrença abre as portas à denuncia inquisitória, encabeçada por Francisco Penteado e Matias Pires, irmãos da Maria José. Do logro saiu ensombrada uma parcela da freguesia de São Pedro de Vilar de Ferreiros, quando era pároco o abade Manuel Paulo da Silva, e em São Cristóvão de Mondim de Basto, o cura era o padre Manuel João dos Reis. Ambos eram conhecedores das actividades do heresiarca João Pinto, mas não foram os denunciantes. Uma história que assustou a pacata aldeia de Vilarinho e que teve o seu epilogo a 21 de Maio de 1759, com 08 dos "congregados" a decidir apresentarem-se à Mesa do Santo Oficio.

A 05 de Novembro o processo estava aprontado e o Tribunal do Santo Oficio com a sua tarefa praticamente cumprida, com dois dos condenados à pena de tortura, João Pinto e Maria José. Deste episódio de que se perdeu memória veio agora o licenciado em história António Ribeiro fazê-lo ressuscitar, e assim pôr-nos ao corrente dum acontecimento que naquela altura ensombrou os meus conterrâneos daquela aldeia e nós hoje podemos citar aqui. Não me consta que reminiscências orais desse episódio paire tão pouco no subconsciente de algum conterrâneo meu, mas o uso temerário em conversas de lareira do vocábulo "degradado", e na microtoponímia da povoação aparecer um enjeitado lugar denominado Cabo do Mundo, podem muito bem ser vestígios derivados ou alusivos ao que se passou nesta aldeia em meados do século XVIII. Os nossos antepassados tinham o bom costume de silenciar a voz acerca do que não era merecedor de ser louvado. E deve ter sido o que aconteceu com a história do heresiarca de Vale de Bouro.

 

 

 

 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 14:54

20
Fev 15

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          Três barrosões ilustres que nos bancos escolares da Igreja receberam formação cristã. Bento da Cruz, nos beneditinos, em Singeverga; Barroso da Fonte, no Seminário de Vila Real; onde, o Padre Fontes estudou e concluiu a sua formação sacerdotal. Amigos e conterrâneos, cada um seguiu a vocação com que foi dotado. Só no amor à terra e às letras a vocação é comum, sem que nada os distinga que não seja o género ou estilo de escrever. Dos três, Bento da Cruz é o mais maduro, nasceu em São Vicente da Chã, Montalegre, a 22 de Fevereiro de 1925. Na mesma data, mas em 1940, nasceu também em Cambezes do Rio, concelho de Montalegre, o Padre António Lourenço Fontes. Vem isto na sequencia do que escrevi à volta do aniversário do Dr. Barroso da Fonte, onde também envolvo estes dois conterrâneos seus. No role do meu relacionamento pessoal não consta o nome do distinto médico e insigne escritor Dr. Bento da Cruz, que sei pessoa generosa conhecida pelo serviço prestado aos pobres a quem não levava dinheiro aquando da sua estadia como clínico na aldeia de Pisões.

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          Do Padre Lourenço Fontes, sim, boas recordações e relacionamento amistoso. E muitos dos seus trabalhos fazem parte do meu banco de dados onde constam os livros de consulta. Etnografia Transmontana é a bíblia dos costumes ancestrais das terras de entre Larouco e Marão. Zeloso no cumprimento e respeito pelos deveres aderentes ao seu múnus sacerdotal, o Padre Fontes movido por um amor desmesurado às origens e às gerações que povoaram e povoam a Terra Fria, consegue tempo para se dar à pesquisa e arrolamento dos usos e costumes que marcaram e caracterizam o povo barrosão. Sem deixar cair a sua dignidade de sacerdote, com a sua intervenção em eventos de carácter cultural e pedagógico, como os Congressos de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, o Padre Fontes abriu as portas aos estudiosos interessados no conhecer a verdade de muitos mitos e fenómenos que povoam a mete de muitas almas. Depois porque sabendo que a ignorância é a maior inimiga da fé cristã, a sua relação interventiva nestes eventos de índole paranormal são uma mais valia no esclarecimento de muitos dos “fenómenos” de que muitos “artistas” se servem para iludir os crentes na magia negra….Um sacerdote, um homem de cultura, um transmontano barrosão que muito admiro e hoje felicito por mais um seu aniversário. Muitos 22 de Fevereiro !

 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 10:47

01
Fev 15

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         A 31 de Janeiro, a Igreja festeja São João Bosco, fundador da Pia Sociedade de São Francisco de Sales, conhecida por salesiana, e co-fundador, com Sta. Maria Mazzarello, da congregação das Filhas de Maria Auxiliadora, conhecidas por Irmãs Salesianas , e fundador da Associação Internacional dos Cooperadores Salesianos. Nasceu em Becchi, a 16 de Agosto de 1815, fez a 1ª Comunhão em 1826. Em 1828 começa a estudar e aos 16 anos vai frequentar a escola de Castelnuovo D’Asti. A 30 de Outubro de 1835, com 20 anos feitos, entrou para o seminário de Chieri, para ser ordenado sacerdote a 05 de Junho de 1841, pelo bispo Luigi Fransoni. Sendo entretanto transferido para Turim. Foi canonizado, a 01 de Abril de 1934, pelo Papa Pio XI. Nele reconheceu o Beato João Paulo II, tratar-se de um verdadeiro “ Pai e Mestre da Juventude”. A sua fama como sacerdote e educador espalha-se por toda a Itália e dali mundo fora. Desenvolvendo a educação infanto-juvenil e o ensino profissional, sendo mesmo um dos criadores do sistema preventivo em educação. Distinguiu-se também no desenvolvimento da imprensa católica, mas é como educador da juventude desprotegida que se notabiliza. “Em Roma, como os romanos” é dito que nem todos aceitam e certamente o facto de São João Bosco manter amizade com políticos famosos como, Camilo de Cavour, Humberto Ratazzi, Marquesa Barolo, Pio IX, Leão XIII, que levou alguns contemporâneos seus rivalizar com ele, Dom Lorenzo Gastaldi foi um deles, e a paz entre ambos só se fez mediante intervenção do Papa Leão XIII. Figuras como São João Bosco, João Melchior Bosco, em Portugal faz-nos recordar um Padre Américo que na Obra da Rua muitos “gaiatos” se tem libertado da miséria social e conquistado a dignidade de cidadãos respeitáveis. Padroeiro da capital federal do Brasil, Brasília, São João Bosco é também padroeiro dos Jovens e dos aprendizes.

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          Para ganhar a estima e a confiança dos amigos percorria as feiras e mercados afim de observar os jogos de prestidigitação e de habilidades que depois em casa procurava executar de modo a poder exibir junto dos amigos e jovens carecidos.Daí a que os mágicos conhecendo a sua história o tenham declarado, também, patrono dos Ilusionistas. Dele escrevi em "Portugal, minha terra", a 31/01/ 07, um post que abria assim: “Ora aqui temos nós um tema que posso considerar ser da minha área de saber: ilusionismo. É verdade! Cedo me apaixonei pela "Arte de Robert   Houdin", mas só nos inícios de 1960  é que o meu nome começa ser conhecido em diversas plateias e ambientes associados a tão encantadora arte. Também há muito que deixei de praticar e portanto de acompanhar os avanços da técnica que um Luís de Matos e um Lacerda Machado Júnior têm sabido aproveitar. Mas não pensem os leitores deste post que vou ensinar magia ! Não, o que vou fazer é prestar aqui uma singela homenagem ao patrono de todos os  ilusionistas: São João Bosco”. Como então, aqui deixo também hoje a merecida homenagem ao santo que a Igreja Católica festeja no dia 31 de Janeiro e os ilusionistas de todo o mundo honram nesta mesma data. Orgulho da família salesiana, que nas escolas profissionais espalhadas por todo o mundo cristão, educam gerações e formam homens com H grande !.

 

 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 13:20

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