Neste blog, vou passar fazer todo aquele trabalho que habitualmente tenho vindo a distribuir por vários blogs. Dar descanso aos velhos....

11
Nov 17

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Tive à  dias a visita de um conterrâneo meu que não via há anos, pese de vez em quando nos comunicarmos telefonicamente. Falo do Mário do Ervedeiro, um mondinense da velha guarda que não sendo da classe dos bachareis, é do grupo dos que prezam as origens e os valores históricos e culturais da terra onde nasceram e se mantêm ligados de maneira carinhosa. Natural de São Cristóvão de Mondim de Basto, onde no lugar do Ervedeiro nasceu, a 5 de Dezembro de 1948, o Mário que tomou por alcunha o lugar de nascimento, tem costela materna na minha freguesia, pois a mãe Beatriz Gonçalves Miradouro, de saudosa memoria viu, pela primeira vez, a luz do dia no "Bordalém" ( Bairro de Além) em Vilar de Ferreiros. Conheci-a  muito bem,  assim como o marido, Joaquim António Machado, natural de Atei, quando caseiros do Abade Miranda, em Vilar .Mas é do Mário e do motivo que o moveu desta vez para me visitar que vou falar. Vinha munido de papéis e empurrado pelo desejo de ver realçado o nome de quem se destacou na defesa daqueles que ficaram nos seus postos de ocupação, ora mais perto, ora mais afastados do cenário de guerra onde se desenrolaram as operações militares da 1ª Grande Guerra Mundial, como foi o caso do soldado Alfredo Machado que combateu em França. Este combatente que foi "prisioneiro de guerra", era natural de Atei, onde nasceu a 27 de Dezembro de 1895 no lugar da Barroca. Era filho de Bento Machado e de Maria Amélia Portela de Figueiredo, residentes nesse local. Alistado a 16 de Agosto de 1915, embarcou para França em 23 de Setembro de 1917; após regressado ao país foi licenciado a 30 de Agosto de 1919, passando entretanto à reserva activa a 31 de Dezembro desse mesmo ano. Em França combateu e batalhou por forma a merecer ser distinguido com a "Medalha Militar de Cobres", 1917/1918. Terá sido também um dos combatentes da batalha de 9 de Abril em La Lys, onde o nosso transmontano "Milhões" se notabilizou. Certo é que se trata de um daqueles mondinenses que honraram a terra e a gente deste concelho e da região de Basto, sem fazer alarido, mas apenas guiado pelo dever de cidadania e nobreza de carácter típico do povo honrado e laborioso. Foi dado como morto, na guerra e por isso tinha na terra o alcunha do "morto vivo".

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Foi isso que fez o neto vir ter comigo para me falar do seu avô. E não só, do avô, também de um tio paterno que no Brasil se tornou figura estimada e reconhecida pelo seu espírito empreendedor e generoso. Cedo emigrou para o Brasil, tendo-se fixado em Tauá, um município brasileiro do estado de Ceará, na região nordeste do país. Começando por vendedor de pão, de Portugal levava umas luzes de carpintaria em que foi iniciado. Isto lhe foi muito útil pois além do jeito para o comercio de merceeiro, e de negociante em ferro-velho, o Sr. Alfredo Machado - tinha o nome do pai - foi um apaixonado por projectos de construção que sempre conciliou com as demais actividades. A sua coroa de glória surge em 1976 quando vê a construção da igreja de Nossa Senhora de Fátima, na estrada do Dendê, obra que planejou e foi director responsável. Faleceu a 31 de Outubro de 2015. Ao Mário Machado, neto de um Alfredo e sobrinho doutro, os meus parabéns por se lembrar de mondinenses que a história local ignora mas que por onde passaram marcaram e honraram destacadamente as suas origens. 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 13:39

21
Dez 14

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O nome do escultor Domingos de Oliveira há muito que me é familiar, mas associá-lo a um conterrâneo meu, demorou tempo que acontecesse. Quem nascido em terras de Basto alguma vez por uma ou outra razão deixa o torrão natal em busca de conquistar o que na terra ou região não se lhe ofereceu vislumbrar , sem nunca esquecer as origens, no entanto, por gratidão, toma como sua a terra onde melhor se adaptou e foi acolhido. Nisso se distingue dos seus similares o emigrante português que no seu país ou fora dele encontrou espaço propício às suas ambições e ocupação laboral.Como muitos outros, Domingos de Oliveira, escolheu Lisboa para se fixar e fazer render as suas potencialidades artísticas e culturais. Antes porém serviu Portugal como militar em Angola, onde o contacto com a guerra lhe deu do mundo uma nova imagem escultural que vai pesar na formatação cultural e intelectual do até então ignorado artista. Nos finais da década de setenta trava conhecimento com Óscar Alves e é no seu atelier que vê despontar o gosto pela arte, começando pelo trabalho em barro. Logo no inicio da década de oitenta surge com a sua primeira exposição, em terras do Ribatejo (Santarém).

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O sucesso passa a fazer parte da sua carreira profissional e não demora vamos dar com ele em Madrid aluno do famoso fundidor Jose Luiz Ponce. A porta do êxito está aberta; monta o seu atelier e daí em diante as exposições sucedem-se e os seus trabalhos em bronze, prata e ouro ganham fama e as encomendas não param de chegar.

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Homem simples e generoso Domingos de Oliveira nasceu em São Pedro de Atei, concelho de Mondim de Basto, distrito e diocese de Vila Real , a 26 de Setembro de 1950, e em busca de outros horizontes emigrou para Lisboa em 1968, onde tirante o tempo em que esteve em Angola como tropa, e as estadias temporárias com exposições e estudo além fronteiras, Domingos de Oliveira é, como eu, um alfacinha com alma de transmontano de Basto.

 

 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 10:51

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