Neste blog, vou passar fazer todo aquele trabalho que habitualmente tenho vindo a distribuir por vários blogs. Dar descanso aos velhos....

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Fev 15

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          Meio século são muitos 365 dias, mais o resto. Que postos ao serviço duma causa ou missão merecem ser realçados e reconhecidos por quem desse labor beneficiou. Reporto-me aqui ao Padre Correia Guedes que durante 50 anos paroquiou a freguesia de Vilar de Ferreiros, onde baptizou gerações e confortou em vida, e na hora de perdê-la, a alma de muitos paroquianos seus, e meus conterrâneos.

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           Estou a vê-lo nos primeiros meses da sua chegada a Vilar, numa aldeia sem estrada, sem luz eléctrica, nem água potável. Paciente, mas inconformado o “ Gigante com coração de pomba” vai de iniciar a batalha contra o marasmo das forças vivas da terra e do concelho. Começando por combater a pobreza vizinha, com fazer casa dos pobres, e à Caritas pedir apoio alimentar. Seguiu-se o empenho em ver a rede escolar a contemplar todo espaço da freguesia e por isso bateu-se pela criação de um posto escolar em Vila Chã, que conseguiu.

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          No cumprimento do seu múnus sacerdotal e no zelo pelo património paroquial e defesa dos direitos da freguesia, muitas vezes foi forçado a perder a paciência e dizer o que não queria. Quando hoje vejo pessoas a queixarem-se da crise que se vive, vem-me à memória os primeiros anos em que este zeloso sacerdote veio, como coadjutor do Abade Miranda, para Vilar de Ferreiros. O único meio locomotivo de então eram as pernas, e para atender os fregueses nos diversos lugares, dava mais trabalho aparelhar o cavalo do que ir a pé. Lembra-me de uma vez, no pino do Verão, o ver deixar o jantar na mesa, para levar os “últimos sacramentos" a um enfermo; fiz-lhe também companhia. Outra, de com ele, pelas Richeiras e Caminho Novo, subir ai “Iteiro da Senhora”, onde o vi, e ajudei também, de pano na mão, a limpar o pó das imagens e do altar de Nossa Senhora da Graça. Os anos passam e pesam sobre quem carrega com eles. Mas o importante é que no trajecto fique rasto, e o abade Correia Guedes, o “ Padre de Nossa Senhora da Graça” deixou bem visíveis as suas pegadas no terreno que pisou como pároco, e em particular no santuário do Monte Farinha.

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          Desde a sua ordenação em 1957, que o Padre Manuel Joaquim Correia Guedes - natural de Torgueda – Vila Real, onde nasceu 04 de Julho de 1932 -, foi colocado ao serviço do concelho de Mondim de Basto, primeiro em Pardelhas e Campanhó e quatro anos depois em São Pedro de Vilar de Ferreiros, a 12 de Janeiro de 1961.  Por ter resignado deixou de paroquiar a 04 de Outubro de 2013, mas por considerar  esta terra como sua, continua a habitar a residência paroquial e a dar apoio ao Arciprestado do Baixo Tâmega, em particular ao novo pároco que o veio substituir.

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          Entretanto foi nomeado Capelão da Santa Casa da Misericórdia de Mondim de Basto, onde vai à segunda, quarta e sexta-feira. Por muito que se tente contabilizar as virtudes e serviços prestados ao nosso concelho por este sacerdote, as contas acabaram sempre erradas por insuficiência de gratidão. Que nesta sua mais recente missão, a Misericórdia Divina ajude no levar da cruz de cada dia, não de rastos mas bem erguida como é timbre dum verdadeiro gigante do amor à Igreja e aos homens filhos de Deus.

 

 

 

 

publicado por aquimetem, Falar disto e daquilo às 19:55

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