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Ano trágico para Portugal.

por aquimetem, em 16.10.17

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Vieira de Leiria

Mais um mês caminha para seu final, é Outubro. Um Outubro marcado por incêndios devastadores de bens materiais e de vidas humanas também. Só neste domingo mais de quatro dezenas de vidas se foram juntar às que anteriormente tombaram no Pedrogão Grande. E tudo naquele silencio que a lei da  morte ordena. São fogos que surgem fora da época, se é que podemos considerar haver época de incêndios. Se há  não devia haver . O que se está a passar neste país em relação a incêndios florestais é bem o espelho da sociedade de que somos membros e da culpabilidade que todos temos na sua degradação, causa de muitos devaneios... Em política o poder tenta apagar fogos com frases salivares e promessas que granjeiem a caça ao voto. O que forçou o Arcebispo Primaz de Braga a pronunciar-se na pagina do Facebook dizendo "Portugal está a arder! Basta de discursos e boas intenções! É imperioso apurar responsabilidades e agir ". Não devemos pensar mal de ninguém, até porque é prejudicial para a nossa mente que se quer sempre livre de embaraços. Mas o facto dos incêndios florestais envolverem tanta industria e comercio como envolve, por vezes faz-nos pecar ...É demais. Depois sabendo que até os "sucateiros" à  custa de políticos sem vergonha fazem fortuna, imaginar que também se pode enriquecer à custa dos incêndios não é grande admiração. Mas isso é do foro judicial. As desculpas que é das matas por limpar e do calor do sol não pega, já assim era no tempo da "outrora senhora" e os incêndios escasseavam, e só quando mão criminosa os apegava é que lá tinham as brigadas florestais de actuar. Foi o que faltou neste ano trágico para Portugal.

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publicado às 15:37


Se fosse só um bem nós estávamos

por aquimetem, em 14.10.17

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A força do acreditar quando apontada a um alvo pré-concebido redonda em vitória mental. Importante se aplicada no sentido positivo que dignifique a espécie humana, mas se pelo contrário tem em vista denegrir o comportamento normal da criatura mais vale não existir. A boa fé é uma virtude que deve ser respeitada e de louvar no ser humano, mas como alguém muito santo ensinou é nosso dever  "ser anjo, mas não anjinho". E no entanto o que mais se vê no dia a dia  são anjinhos... em vez de anjos. Vem a propósito do que a respeito da honestidade do ex-primeiro ministro José Sócrates se tem dito. Para muitos que foram, ou ainda são, seus admiradores, ainda se não convenceram que o homem fosse capaz de cometer os crimes de que é acusado, e de que dizem foi mais que vitima duma injustiça que a própria Justiça cometeu. O homem é sério dizem os seus. Para estes, o desonesto é o Juiz Carlos Alexandre, que meteu na prisão um ex-primeiro-ministro, além de mais alguns dos seus comparsas. Será que agora uma vez acusado formalmente com 31 crimes na Operaço Marquês, a boa fé dos seus simpatizantes ainda persiste ? Não devemos desejar mal a ninguém, mas que merece ser reprovado e condenado quem na política se serve dos cargos para enriquecer à custa dos seus concidadãos é lógico que sim. E o certo é que o MP deu como provada a relação com Carlos Santos Silva e os benefícios ao grupo Lena com os quais Sócrates terá "ganho" 24 milhões de euros. Mas não é só ele, na mesma fornada estão incluídos 28 arguidos, 19 pessoas singulares e 9 colectivas. Se fosse só um.... bem nós estávamos.

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publicado às 15:30


É além do mais, 100% ignorante

por aquimetem, em 09.10.17

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A Social-democracia surge nos finais do século XIX fruto de uma cisão interna do socialismo. Como as demais ideologias de vertente "socialista", a Social-democracia nasce dentro do movimento operário de carácter marxista e nesse espaço ideológico se desenvolve e ganha autonomia. De realçar que até  "1910 os partidos sociais-democráticos ainda se reconheciam - e eram reconhecidos - como partidos revolucionários. Só a partir do final da II Guerra Mundial, a Social-Democracia começa a ganhar outros sentidos afastando-se  da prespectiva de ruptura com o capitalismo". Mas longe de ser um partido que estagnou na luta pelo desenvolvimento e promoção social do ser humano, a Social-Democracia tornou-se na força política mais conforme e coerente com as circunstancias do momento actual, em que as demais ideologias políticas parecem querer medir forças e conquistar terreno. Países como a Alemanha, Holanda, Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Bélgica são exemplo da aceitação e serviço prestado à comunidade mediante acção  governativa da doutrina social-democrática. Embora surgindo de dentro do movimento operário de carácter marxista, desde principio sempre apontou para um socialismo democrático que o comunismo rejeitou e continua a rejeitar. Para os sociais-democratas foi sempre convicção que através da via  partidária era possível promover as reformas necessárias dentro do capitalismo, de modo a conquistar a vitória do socialismo que outros querem através da força. Chegou-se até a considerar que "o comunismo representava uma forma autoritária do socialismo, enquanto a social-democracia seria a sua face democrática".  Isto só para dizer a quem me lê que chamar ao PSD, um partido de direita  é  além do mais, 100% ignorante.

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publicado às 18:15


São muitos da mesma família

por aquimetem, em 04.10.17

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Os últimos resultados nas Autarquias não foram brilhantes para o PSD, mas bem pior foram para o PCP e que saiba ainda ninguém pediu, no seu partido, que Jerónimo de Sousa se demitisse. Verdade que também ninguém exigiu a demissão do Dr. Passos Coelho, ele é que pelos vistos não se quer recandidatar à  liderança do seu partido. Na minha opinião Portugal vê retirar-se do combate político uma figura nobre e honesta que para salvar Portugal da "Banca Rôta " se deixou cair na impopularidade. A história lhe dará razão, se não mais tarde o eleitorado. Desde que tive liberdade de usar do meu direito de voto, depositei-o no partido que Francisco Sá Carneiro fundou, inicialmente com base na defesa que desde o primeiro momento ele tomou à volta do Bispo que Salazar expulsou de Portugal. Depois pela sua ideologia social-democrática que sempre entendi se adaptar melhor ao pensamento da maioria do povo português. Gente laboriosa, ordeira e honrada, como também combativa por causas justas e patrióticas. Nestes 40 anos que já decorreram sobre o que chamam de democracia, quem tem mais de 70 anos e esteve atento aos acontecimentos nacionais, tem muita coisa para contar, sobretudo quem mais de perto presenciou alguns deles. Os mais gritantes são aqueles que nos dão conta de criaturas que não tinham nada de seu, e agora graças à sua profissão política gozam de fortunas que se diz aos milhões. Ladrões eram os Tenreiros, os Melos, os Tomes Feteiras, os Champalimauds, os Condes de Riba Dave, os Cupertinos de Miranda  e outros que nas suas fabricas, na agricultura, na pesca,  nas siderurgias e na economia, davam trabalho à  população. Em vez de andarem atrás de quem se consta ter recebido uma modesta gorjeta de pouca importância, deviam era  fazer leis e pô-las em pratica para saber donde vieram os tais milhões que se diz alguns políticos têm em carteira, obrigandos a repor parte nos cofres do Estado. O mau da fita não deve ser só o Sócrates, são muitos da mesma família.

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publicado às 12:15


Até gostava de também fazer

por aquimetem, em 03.10.17

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 Lá se foi mais uma vez o meu "Alvarito", na companhia dos pais para outras paragens e terras onde os avós  maternos e paternos o não podem ver fisicamente. Com os seus quatro anitos esta separação diz pouco para ele,penso eu,  mas o mesmo já não é assim com os "pais duas vezes" pois além de avós vem-lhes à  memoria saudades duma fase da vida que jamais se repete

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De Lisboa partiu pela manhã para Paris, e dali às 15h00 vai de regresso à  América Central, até que nova oportunidade no-lo traga a ver. O certo é que vai de novo conviver com amiguinhos a hablar espanhol, e com os pais o bom português que Camões imortalizou.

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Não me estou a dependurar, mas uma visita à  Ilha dos Castros, como a que fiz recentemente à terras de Ângela Merkel com o Alvarito por companhia, até gostava de também fazer

 

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publicado às 14:35


Torga visto por Barroso da Fonte

por aquimetem, em 22.09.17

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Em post divulgado no dia 11/8/17 no blog Portugal, minha terra, Barroso da Fonte faz referenciaria ao seu relacionamento com mais três notáveis transmontanos que em vida honraram a gesta nas letras e na ciência: Miguel Torga, Magalhães Gonçalves e Mário Carneiro. Foi-me dado saber então que à  volta disso já Barroso da Fonte havia escrito um opúsculo onde registou esses contactos que tornou em documento e dele falou por ocasião da data em que se fosse vivo Miguel Torga faria 110 anos, nesse dia, 12 de Agosto. Nasceu em 1907.

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"Tive a sorte - diz ele - de ser um dos privilegiados em conviver com Miguel Torga.

Quando regressei de Angola, como militar, em Junho de 1967, fixei-me em Chaves, como professor eventual de Liceu e Chefe de Redacção do semanário «Noticias de Chaves». Em fins de 1968 troquei as aulas do liceu pelo Centro de Emprego. Durante cerca de um ano fui o único funcionário. E o estatuto da antiguidade deu-me a possibilidade de ser o responsável, durante vitoriosos anos, tendo contribuído para patrocinar o ingresso de alguns colegas e até para indicar, como médico de higiene e segurança no trabalho, o Dr. Mário Gonçalves Carneiro que retirava algumas horas à   dedicação quase exclusiva às Termas de Chaves ".

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 Mão amiga - digo eu - ao saber da minha admiração e estima por essas personagens da cultura, e em particular pelo autor do opúsculo, teve a gentileza de trazer ao meu conhecimento retalhos desse trabalho de Barroso da Fonte que li e achei oportuno engendrar um post meu à  volta do tema. Tanto mais que estão em cena figuras que muito enobreceram a minha região transmontana e a cultura nacional.

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De Torga ressai o que já dum seu colega em medicina, o saudoso Dr. Assis Pacheco, me havia confidenciado e B. da Fonte deixa agora confirmado: "O director das Termas de Chaves que tarda em ser homenageado como o «pai» das renascidas instalações balneares, desde há duas décadas hospedava, na sua Casa da Rua Direita, o Dr. Adolfo Correia da Rocha. Este sempre vivera à « boleia», ora para o estrangeiro, ora no seu próprio reino Maravilho. Fora assim nas termas do Geres, nas Aguas de Carvalhelhos e, naquela altura, nas Aguas de  Chaves. Nada pagava nos tratamentos, tinha comida e dormida, de graça, na casa pessoal do então director Mário Carneiro" . -  Não é defeito é modo de economizar enquanto os amigos assim o entender....

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 Foi o Dr. Mário Carneiro quem apresentou Torga a Barroso da Fonte e este quem apresentou Torga a Fernão de Magalhães Gonçalves  que tinha ganho o 1º prémio nos Jogos Florais de Chaves. "Por essa altura apresentei-o ao Fernão de Magalhães Gonçalves que tinha ganho o 1º prémio nos  Jogos Florais de Chaves que eu passei a organizar, desde 1978. Foi esse estudo sobre o Telurismo na obra de M. Torga que os tornou amigos para o resto da vida. F.M. Gonçalves foi, segundo Torga, o ensaísta Português que melhor interpretou a obra Torguiana". Um retrato de Torga traçado por Barroso da Fonte

 

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Vamos a ver dia 1…

por aquimetem, em 18.09.17

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 Povo civilizado até na política onde se não vê os adversários acusar uns aos outros do que respeita à  vida privada de cada um. Se algum acto é merecedor de reparo, o povo julga-o nas urnas ou ele tem o bom senso de se demitir antes que seja o eleitor a manda-lo trocar de oficio. Não é por mero acaso que a Alemanha sofrendo duas grandes guerras que a deixaram destruída tenha hoje a economia mais forte da Europa, fruto do trabalho, formação e educação do seu povo. Os alemães também gostam de futebol e da cerveja que produzem, assim como dos produtos cultivados em todo o seu espaço arável e muito bem aproveitado e zelado, diga-se, mas não misturam política com desporto. A política é coisa muito séria, e gente corrupta lá não tem cabidela. Também cá deviam ser saneados de cargos políticos e administrativos todos quantos na política arranjaram emprego. Assim como gente mentirosa. Só desta maneira um país consegue dar emprego, saúde e formação aos seus patrícios, e os progenitores ou seus tutores a educarão aos filhos. Só desta forma Portugal será capaz de dar trabalho aos seus naturais e a outros que nos procurem para trabalhar connosco.Temos as eleições autárquicas que são de 4 em 4 anos. É muito. Deviam ser no máximo de  2 em 2 anos. 

Portugal só vê as obras publicas mexer e os buracos tapados nas vésperas dos actos eleitorais, o tempo que decorre entre um espaço ao outro é para ir deixando cair e depois reconcertar. Mas o curioso é que nós, os portugueses, até gostamos de ser ludibriados, votando na pessoa mais simpática sem reparar na cor do fato que veste. Por um lado até é bom, comemos do que gostamos, mas por vezes sem olharmos à saúdes...

 

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publicado às 18:04


Os que pensam só na barriga deles.

por aquimetem, em 02.09.17

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Chegou ao fim o mês de Agosto, em medição comparativa corresponde à  duração do mês de Março que nas tardes já se nota bem. Daqui a dias temos o Outono a batermos à  porta. Foi um Verão marcado por catástrofes de diversa ordem, com destaque para incêndios e incendiários que destruíram vidas e floresta. Depois as enxurradas para ajudar à catástrofe. Um Portugal onde só  desporto e o turismo vale alguma coisa, o resto é só miséria.

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Em política tem sido uma pouca vergonha com os partidos a maldizerem uns dos outros quando a final à mesa ... se juntam todos. Só  o Zé, este sim, alinha porque não tem outra solução.

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É tempo do povo, que dizem ser soberano, estar atento e nas próximas eleições provar que o está. Faço  votos que se não deixem influenciar pelas obras apressadas que só de 4 em 4 anos se fazem notar. Nem das promessas enganadoras feitas nessas ocasiões.

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Entretanto vou passar uns dia à  terra da Sª. Merkel para ver a diferenças entre a dela e a do Sr. Costa e companhia... Mas entretanto tenho que prestar homenagem ao que foi um dos PM mais nobres de Portugal, ainda que muitos portugueses entendam que não. Os que pensam só na barriga deles.

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publicado às 17:56


Já fez um mês...

por aquimetem, em 21.07.17

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Já fez um mês que se deu a tragedia de Pedrogão Grande e dos concelhos limítrofes, até aqui ainda não faltaram palmadinhas nas costas e de promessas que se vai dar resposta rápida ao drama de quem ficou sem familiares, haveres, emprego e empregadores. Mas finalmente viu-se agora o Sr. PR passar das palmadinhas às palavra diretas que não tem tido coragem dizer . Foi preciso ir ao México para de lá reconhecer que “Todos nós, que assumimos poderes públicos, temos de reconhecer com humildade que aquilo que é uma das funções [do Estado], que é a segurança das populações, não foi possível garantir cabalmente”. Como também concordo com o seu apelo no sentido de que nesta campanha eleitoral se fizesse “ um pacto eleitoral naquelas áreas para que se esqueça a campanha ou para que não se use esta tragédia até Outubro”. Pior é o reparo que fez Passos Coelho acusando o Governo de impor a “lei da rolha” aos serviços de proteção civil, acerca dos fogos. Citou: "Esse é o tempo que vivemos hoje, o tempo da demagogia política e é o tempo em que a política primeira, preferida, da maioria e do Governo é a da comunicação. Não vá a comunicação falhar, tivemos hoje notícia, provavelmente a última, de que a lei da rolha se deverá observar em matéria de serviços de protecção civil". Quem te avisa teu amigo é.

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Tudo isso estaria conforme se não fosse as famílias de 64 vitimas mortais, um mês depois da tragédia continuarem à espera das ajudas do governo que temos. Se não fosse a Cáritas e a solidariedade do povo português, estavam bem aviados,  à espera que o tempo salvase a situação.

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É verdade, não fora a generosidade do povo já tinham todos morrido à fome. A carta que transcrevo é bem elucidativa:

Venho, por este meio, na qualidade de irmã da Sara Elisa Dinis Costa (mãe do menor de 7 anos, X), falecida no incêndio de Pedrógão Grande, questionar onde é que estão as ajudas tão apregoadas. Agradou-me o facto de ter recebido uma mensagem do Excelentíssimo Presidente da República, o Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no funeral, mas por outro lado choca-me não ter sido contactada por ninguém com responsabilidades mandatado para o auxílio das vítimas. Também gostaria de saber qual o destino das doações recentemente efetuadas à ‘causa’ das vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande. Uma vida não tem preço e associado a esse facto há imensos custos inerentes a uma vida que se perde, bem como às vidas que ficam (não me estou somente a referir ao trauma com que o meu sobrinho, filho da minha falecida irmã, ficou, desde o conhecimento da morte da sua mãe mas também o trauma com que quer eu quer o meu marido ficámos).Fui eu que tive de me mexer para que ele tivesse tido apoio — fui eu que fui ao meu médico nos HUC, na cirurgia Cardiotorácica de Coimbra, pedir apoio psicológico, fui eu que arranjei um psicólogo para o meu sobrinho, ligando para o 112, e sou eu que estou ainda a gerir o seu trauma, uma vez que as consultas do psicólogo são caras. Temos uma maneira de não pagar tanto, mas que nos sobrecarrega a nível emocional... E entretanto, daqui a uns dias, faz precisamente um mês desde que a tragédia aconteceu e temos de nos levantar todos os dias.Também não entendo como ainda ninguém se propôs a pagar os funerais das vítimas, que foi o primeiro custo directo que se teve desta fatídica tragédia, uma vez que as doações em género efectuadas (graças à extrema solidariedade do povo português) serviram (e acredito que continuam a servir) perfeitamente para cobrir os custos mais urgentes.Vou contar um pouco acerca da situação da minha família:O filho da minha irmã, está connosco há cerca de 2 anos e meio, uma vez que a minha irmã não tinha condições psicológicas para tomar conta dele, tal como acontece com o seu pai. A minha irmã era estudante e nunca trabalhou ‘en continuum’ (sem descontos para a Segurança Social) e o seu pai, divorciado da sua mãe, tem problemas de dependências e possui trabalhos ocasionais. Desde o acordo de promoção e protecção que temos arcado com todas as custas da subsistência, educação, saúde e lazer, e aquando da solicitação do apadrinhamento civil do menor por mim e pelo meu marido estava, nesse contrato, o acordo de ambos os pais procederem ao pagamento de 75€/mês, para despesas dele. O apadrinhamento civil ainda não se encontra homologado pelo tribunal. Já nos foi apresentada a conta do funeral e, sendo um gasto extraordinário e não expectável, não temos como o pagar e a única ajuda seriam os 200 e poucos euros da Segurança Social.Não sou uma pessoa rica, apesar de os meus pais nos terem deixado bens, bens esses que não conseguimos vender ou tirar rendimento deles (alguns destruídos e danificados pelo fogo) e que são dispendiosos de manter. Encontro-me actualmente desempregada, sendo que os únicos rendimentos da minha família são os do trabalho do meu marido e do meu subsídio de desemprego desde Junho do presente ano (embora ainda não tenha recebido qualquer prestação de desemprego). Possuo uma incapacidade devido a problemas cardíacos e de AVC (de 61%), que não comprometem um normal ritmo de trabalho, desde que não haja trabalhos extraordinários ou em que se necessite de fazer deslocamentos que acresçam ao horário de trabalho (o que não acontece nas obras, trabalho que efectuei durante cerca de 10 anos).Todos os que nos conhecem (nomeadamente todos os da aldeia de Vila Facaia, da Vila de Castanheira de Pera e bancos) sabem que gostamos de cumprir com as nossas obrigações e felizmente conseguimos pagar praticamente todas as dívidas que o meu pai deixou aquando da sua morte (em 2013), e pretendemos também fazê-lo com as dívidas da minha irmã, pelo que não gostamos de ficar a dever nada a ninguém — estamos a dever o nosso apartamento ao banco, sendo essa a nossa única dívida. Possuímos somente uma pequena poupança, fruto do nosso árduo trabalho, e que já está destinada.Felizmente o meu marido aufere mais que 1,5xIAS, mas, devido a tal facto, o X não irá ter direito ao subsídio de orfandade e muito menos ao subsídio de morte (uma vez que a mãe não fez descontos).Por fim, pretendo dizer que as dívidas que as Santas Casas da Misericórdia espalhadas pelo país têm é real e o seu conhecimento é de âmbito nacional, pelo que solicito uma descrição pormenorizada da canalização dos fundos que está a ser executada, bem como de todos os orçamentos escolhidos, face aos solicitados.Como cidadã inconformada por esta morte, e como vítima desta tragédia, tenho direito em saber pormenores da canalização destas verbas, uma vez que tenho a cargo um menor que sofre todos os dias a perda da sua mãe.
E que estuda (e gasta inúmeros bens escolares); E que lê imenso (porque já sabe ler desde os seus 4 anos);E toma banho todos os dias;E que pertence a um clube de xadrez (do qual é campeão do 1º e 2º anos do ensino básico), pago (e cujo valor não entra no IRS);E que gasta luz e aquecimento, quando necessário, e cuja roupa é lavada todos os dias;E que tem AECS (pagas, e cujo valor não entra no IRS);E que come (ainda que gostássemos que comesse mais);E que vai à piscina 2 vezes por semana, porque é importante para o seu desenvolvimento global e harmonioso, bem como para a sua destreza física; E que usa roupas (muitas, porque os seus 7 anos não são estáticos e, como se trata de uma criança extremamente saudável, rasga umas calças a cada 15 dias);E que rompe em média umas sapatilhas por mês (em meses bons, pois ainda prefere a trotinete — em que pode travar com os pés - à bicicleta de rodinhas);E que vai a festas de anos (por ser um miúdo popular, vai ‘a todas’ e deve contribuir com um presente);E que precisa de ter actividades lúdicas e educacionais — muitas, porque se trata de uma criança deveras inteligente que necessita de resposta às suas perguntas e precisa que a sua inteligência seja estimulada; E que usa óculos (possui 8 graus de hipermetropia num olho e 7 graus da mesma incapacidade no outro, o que constitui óculos muito grossos - tentamos diminuir ao máximo o seu peso, tornando-se extremamente caros) que têm de ser mudados uma vez por ano (e tem de ter dois, porque dada a sua actividade e extrema ‘reguilice’ tem uns para brincar e outros para estudar);E que precisa ser deslocado, de carro, de autocarro, de comboio; E que rasga os joelhos (quando as calças estão rasgadas ou se usa calções) ou parte a cabeça ou apanha gastroenterites (e espero que se fique por aqui...).Agradeço uma resposta célere a este e-mail, pois possuo uma dívida de mais de €1300 para pagar, pelo funeral, fora gastos com psicólogos, transportes e burocracia para tratar de diversos assuntos que este fatídico incêndio provocou. Agradeço igualmente que me seja informado quem irá pagar a mensalidade que a minha irmã, mãe do X, iria ficar responsável de fazer, após a homologação do apadrinhamento civil, pois a lei não prevê tal pagamento.Não pretendo que o X sofra mais ou que seja estigmatizado pela morte da mãe. Ele está ainda a processar esta morte terrível, ainda dorme comigo e com o meu marido e chora todas as manhãs e todas as noites, quer antes de dormir, quer com pesadelos. Mais informo que criámos uma conta para o meu sobrinho, para que nós tenhamos possibilidade de o dotar de todas as ferramentas para que ele possa crescer. Almejamos que tenha, no futuro, a possibilidade de desenvolver a sua inteligência num curso superior, ou algo mais, pois acreditamos que ele tem todo o potencial para desenvolver a sua genialidade. Esta sua conta foi aberta com 175,50€ que o X tinha num porquinho mealheiro, de algumas ofertas que lhe foram dando entretanto (aniversários, ofertas de familiares e de um casal muito sensato e com bastantes conhecimentos, que o X gosta muito, e a quem faz muitas perguntas) e que, com esforço, conseguimos não mexer. A consulta dos movimentos desta conta (com as devidas justificações de levantamentos ) estará à disposição para os beneméritos que aqui depositem o seu contributo. Grata pela atenção dispensada ao presente e-mail,
Atenciosamente,
Ana Costa”

 

 

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publicado às 21:07


Sondagens

por aquimetem, em 14.07.17

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 Gosto de alertar, mas longe de tomar partido, embora muitos pensem que sim. É certo que tenho a minha opinião e não me deixo levar na onda, até porque não sei nadar. Velho combatente, em defesa do que seja verdade e na imprensa escrita sempre defendi. Já lá vão mais de 50 anos a batalhar e a fazer noticia daquilo que me dá gosto fazer. Dos políticos tenho a pior das impressões pois nunca conheci nenhum que honestamente servisse a causa que dizem ser o interesse comum, mas antes arranjarem o seu tachinho e para familiares e amigos. Em Portugal, o único político a quem ninguém aponta essa nódoa, só a Salazar, que entretanto tinha outros defeitos que por não democráticos se não podem louvar. Mas corrupto é que não foi, nem consentia que alguém fosse. O povo nestas questões é um tanto ou quanto indiferente às ocorrências e o que lhe agrada é ver quem mais habilidade tem para o ludibriar, com promessas falsas e palavras bem gizadas. Vem isto na sequencia de noticias que circulam na imprensa escrita e virtual, onde se faz saber que no barómetro de Julho da Eurosondagem, “além dos socialistas, só a CDU” subiu de popularidade” . Curioso! Que a CDU em relação à “Geringonça” subisse umas décimas, não me admirava nada pois é aquele partido coerente consigo próprio , e não engana ninguém. Agora aquela dos socialistas perante o que aconteceu recentemente em Pedrogão Grande e em Tancos, aumentar em relação ao PSD e ao CDS, mostra bem que anda tudo a dormir na forma. Daí as armas desaparecer. O que seria se estas ocorrências tivessem acontecido com Passos Coelho na governação, e este se desse ao luxo de ir gozar férias e por lá se mantivesse alheio ao acontecimento? Aí Catarina, aí Jerónimo, a cair-lhes em cima. E com muita razão.

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publicado às 23:08


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