Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



As nossas datas históricas.

por aquimetem, em 06.12.16

DSCN0577.JPG

O Dia de Portugal, da Raça ou do que entenderem, até aqui não se tem celebrado no dia corresponde à sua data histórica. Facto que só se justifica por ignorância ou falta de coragem para corrigir um erro que ainda ninguém quis emendar, como muito bem tem recordado o Dr. Barroso da Fonte. Foi em 24 de Junho de 1128 que na batalha de São Mamede (Guimarães) os barões portucalenses ao vencer o conde Fernão Peres de Trava obrigaram-no a ceder o Condado Portucalense ao príncipe herdeiro: D. Afonso Henriques. E nessa data, 24 de Junho, nasceu Portugal !!!! A França que por muitas razões se tem falado nela e que agora por motivos muitos actuais com mais frequência, trouxe-me à memória o que da história aprendi e conservo acerca de São Bernardo de Claraval e da sua relação com Portugal. 

S. Bernardo.png

Deste santo li que estudos recentes parecem confirmam que São Bernardo esteve associado à fundação do Reino de Portugal, pela sua mediação o Papa enviou um legado à Península Ibérica, que senão reconheceu a independência nacional, pelo menos o título de dux a Afonso Henriques e submissão do novo país à Santa Sé. Natural de Dijon, onde também nasceu seu primo, o Conde D. Henrique, pai do Fundador, São Bernardo morreu em Claraval a 20 de Agosto de 1153, com 63 anos.

as%20cinco%20chagas%20de%20cristo.jpg

Na batalha de São Mamede está a força, a coragem e o espírito anímico donde irradiou a Portugalidade que deu novos mundos ao mundo e que só um 5 de Outubro de 1910, e um 25 de Abril de 1974, pelos modos como se processaram, ensombrou. Os grandes e nobres feitos da nossa história, que desde a ampliação do território continental até às conquistas ultramarinas se fizeram realçar, são o produto dessa chama ardente que fez vibrar e inflamar a alma dos Conjurados naquele dia 1º de Dezembro de 1640. Um dia histórico a celebrar e honrar, mas a Fundação a 24 de Junho suplantas todas as nossas datas históricas. Talvez daí a razão porque os medíocres a ignoram.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Diálogos da Cor, para ver em Guimarães

por aquimetem, em 21.05.16

IMG_6376 (2).JPG

 Estamos em presença biográfica de uma figura portuguesa notável pelos seus dons artísticos e culturais que sobretudo na pintura ressaí nas telas que correndo mundo dão prestígio a Portugal.

IMG_6387 (2).JPG

 Além fronteiras, a obra de António Carmo já se fez também chegar e ganhar fama em países como Inglaterra, Espanha, Holanda, Bulgária, Alemanha, Bélgica, Checoslováquia, Luxemburgo, Macau, Japão, Austrália, Guiné-Bissau, Marrocos, U.S.A, Canadá, Venezuela, Suíça, Suécia, Cabo Verde e Brasil.  

IMG_6383 (2).JPG

Faltava Guimarães, a “Cidade Berço”. É agora, na Sociedade Martins Sarmento, que por norma dá prioridade aos artistas nortenhos, ou então muitos prestigiados, como acontece com este alfacinha de gema, que de 24 de Maio a 17 de Julho de 2016, ali terá trabalhos seus, expostos para ver e admirar.

IMG_6385 (3).JPG

Diálogos da Cor é o titulo escolhido por António Carmo para esta exposição, que intimamente é mais uma “viagem da pintura” em diáspora, e a calhar com um espaço que foi querido ao Fundador e donde, determinado, partiu comprometido com a dilatação do Condado Portucalense.

IMG_6386 (2).JPG

 Deste distinto artista já noutra ocasião comentei “ De trato afável, expressivo e franco, o mestre Carmo deu-se-me a conhecer numa estação do Metro, onde ambos costumamos apanhar transporte, desde esse dia passamos a ficar amigos”. Pela minha parte já disse dele o melhor que sei, dos seus dotes artísticos e intelectuais deixo as referências que Álvaro Lobato Faria lhe tece: “Estamos agora perante um artista sem hesitações, de um saber constante e ritmado, onde cada tomada de consciência nos abre o caminho para o seu mundo multidisciplinar, onde cada gesto tem o sabor de uma certeza”. E ao concluir acrescenta: “ O vigor e qualidade do conjunto destas obras, farão, com toda a certeza, que ocupe um significativo lugar na excelente pintura que António Carmo vem construindo e a que já nos habituou, confirmando o grande talento e sobretudo a surpreendente qualidade técnica e criativa deste grande artista das artes plásticas do nosso país”. Para quê, mais palavras?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 16:56


Ganhou uma ecopista......

por aquimetem, em 17.05.16

Imagem (109).jpg

Guimarães é das nossas mais importantes cidades históricas, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade. Do topónimo, inicialmente Vimaranes, supõem-se relacionado com Vímara Peres, dos meados do séc. IX, que fez deste sitio o principal centro governativo do Condado Portucalense que tinha conquistado para o Reino de Galiza, onde veio a falecer. As sua ruas e monumentos exalam história e seduzem o visitante. No seu castelo é tradição bem fundamentada ter nascido D. Afonso Henriques, o Fundador, por isso à cidade se dá a designação de “ Cidade-berço”, pois foi ali que nasceu o nosso primeiro Rei, e na batalha de São Mamede, nasce Portugal. Construído no século X pela Condessa Mumadona, que para proteger a comunidade cristã dos ataques dos mouros ao seu mosteiro, também carecia de fortificações, só dois séculos depois os pais de D. Afonso Henriques ampliaram o castelo, dando-lhe a aparecia que mais ou menos tem hoje. Quando por volta de 1960, nele entrei e subi às suas torres senti dó, perante a ruína e total desprezo por esta pérola da história de Portugal.

Imagem (111).jpg

No Largo da Republica do Brasil, também conhecido por Campo da Feira, um amplo espaço ajardinado tem como motivo de especial atracção um dos apreciados monumentos da cidade: a igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos. A sua origem remonta ao séc. XVI, na construção ali de uma pequena ermida. Em 1785 essa ermida dá lugar à nova igreja, então concluída. Templo barroco, onde acrescentaram duas torres na frontaria um século depois, além da escadaria e a balaustrada. O culto a Nossa Senhora da Consolação determina a erecção canónica da Irmandade em 1594, por Frei Agostinho de Jesus. Em 1878,é agraciada pelo Rei D. Luís I, com o titulo de Real Irmandade. É também conhecida por igreja de São Guálter. Um monumento do séc. XVII, que como igreja é a mais sedutora da cidade, atraí a atenção dos visitantes pela beleza das suas torres similares, do séc. XIX e do seu acesso ajardinado que vem do centro da cidade. Do séc. XIX é ainda a Casa do Despacho e a capela do Senhor dos Passos. Postal enviado em 21/4/75 pelo meu saudoso cunhado “Pereirita”.

Imagem (113).jpg

  São Torcato é uma vila rural dos arrabaldes da cidade vimaranense, famoso pelo santuário consagrado ao seu patrono, um dos primeiros evangelizadores da Península Ibérica, no séc. VIII. Situada na margem esquerda do rio Selho, este lugar de romagem é com outros, como a Penha e a igreja de Nossa Senhora da Oliveira, pontos de referência para visitar na “Cidade-berço”. O edifício dos finais do séc. XIX é de granito, com elementos de inspirado “gótica, românica e clássica”. As obras em acabamento, são de canteiros formados na Escola de Cantaria da Irmandade de São Torcato. No seu interior deparamos com o corpo incorrupto de São Torcato, que é motivo de fé, admiração e curiosidade dos muitos devotos e estudiosos que ao bem-aventurado se consagram. Conhecida pelo seu folclore, em São Torcato se realiza desde 1852, no 1º Domingo de Julho, umas das maiores e mais animadas romarias do Minho. Das muitas curiosidades esta preferida de Amaro das Neves, merece transcrição, conta:
Por volta de 1637, uma delegação da Colegiada de Guimarães foi à sepultura de S. Torcato, abriu o túmulo e verificou que o corpo continuava inteiro. Mas apenas até àquele momento. É que o mestre-escola da Colegiada, Rui Gomes Golias, fundador do morgado das Lamelas, sentiu o apelo irresistível de arrancar, com os dentes, o osso de um dos tornozelos de S. Torcato. Levou-o para a capela da sua casa (hoje o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, em Guimarães), onde ficou até à morte do cónego, altura em que as sobrinhas o entregaram à colegiada. Em Dezembro de 1662, uma procissão fez a trasladação da relíquia da Capela das Lamelas para a colegiada e, hoje, o calcanhar pode ser admirado no Museu Alberto Sampaio”. Ao saudoso padre Guedes devo este postal, enviado, em 3/3/72.

Imagem (114).jpg

Esta é a ponte centenária que os “amigos” de Mondim e da região de Basto se batem para destruir, a troco de uma “banheira” que a ser construída mata por completo este pedaço de beleza natural e elo que liga aqui o Minho a Trás-os-Montes. Ponte sobre o Tâmega, que nasce na serra de São Mamede, Espanha, o histórico e sagrado Tameobrigos penetra por Portugal dentro, para em Entre os Rios, tombar no Douro. Construída no reinado de D. Maria I, em 1882, para assinalar o centenário da sua construção, em 1982,a Câmara Municipal de Mondim de Basto, mandou editar uma medalha comemorativa. É pana que por interesses de ocasião se deixe destruir o património quer histórico, quer natural, e andarmos preocupados com  arranjar meios artificiais para cativar turistas. Olhem se alguém se lembrou de defender a Linha do Tâmega, desactivada a 01 de Janeiro de 1990 !!!. Mas daí, resultou: o povo de Basto, a troco de um comboio, ganhar uma Ecopista….Este postal não tem data, mas é uma edição do fotografo mondinense Carlos Costa.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:02

images.jpg1.jpg

De Barroso da Fonte:

Esta segunda semana de Março vai ficar marcada pela mudança do Presidente da República. Depois de nove contra um, Marcelo Rebelo de Sousa, conseguiu ganhar, sem contestação, o mais importante cargo nacional. Antes do ato eleitoral afirmei numa crónica que votaria em Ramalho Eanes se ele se tivesse concorrido. Como não concorreu votei naquele que se adivinhava vencedor incontestado. Quando assim é não vale a pena contrapor. Para tão importante serviço público sempre se desejou uma espécie de super-homem que se imponha pela cultura geral, pelo seu civismo, pela simplicidade, pela coerência e pelo humanismo. Neste caso concreto a democracia mostrou as suas virtualidades. Com a sua eleição por 52%, sobre os seus nove concorrentes, evitou uma segunda volta que implicaria mais um mês de algazarra, de lavagem de roupa suja e, poupou, acima de tudo, mais alguns milhões de euros ao erário publico.
Depois do general Ramalho Eanes ter cumprido dois mandatos para que foi eleito com plena autoridade, justiça e isenção, seguiu-se Mário Soares que apenas se «salvou» das bocas do mundo pelo facto de gozar de uma auréola política que não correspondia aquilo que dele se esperava. Deu várias voltas ao mundo, gastou à tripa forra e até teve coragem de promulgar uma lei a favor dele e dos presidentes seguintes, deixando, - ostensivamente - de fora, o estatuto do seu antecessor, Ramalho Eanes. Foi terceiro na tabela dos Presidentes democratas, Jorge Sampaio que se diferenciou do camarada anterior por várias razões. Uma delas foi protagonizada pelo actual Parlamento quando veio alegar que as legislativas se decidem na Assembleia da República e não nas urnas. Ao demitir o governo legítimo de Santana Lopes que gozava da maioria de dois terços no Parlamento, Sampaio que não chegou a devolver o cartão de militante, enquanto foi chefe de Estado, foi prepotente, faccioso e antidemocrata.
O seu camarada António Costa veio confirmar esse despotismo ao invocar uma maioria de esquerda do Parlamento, fabricando um governo que o elevou a ser primeiro ministro, contra o resultado nas urnas.
Cavaco Silva foi o XIX Presidente da República. Tal como Mário Soares me enganou, ao votar nele, evitando a eleição de Salgado Zenha, também este me desiludiu dos pés à cabeça. Simpatizava com ele, pelas origens familiares, pelo ano de nascimento e pelo facto de sermos alferes do mesmo tempo.
Todos gastaram verbas astronómicas que contribuíram para avolumar a crise. Medalhou a torto e a direito, a mulher, os poderosos e os corruptos. Disso fui dando conta e apontando nomes. Confesso-me arrependido.
De resto, para avaliar, a propensão para o pagamento de favores caracterizou todos os quatro Chefes de Estado, democraticamente eleitos: O campeão foi Mário Soares com 2.509 medalhas; o vice-campeão foi Jorge Sampaio, com 2.368; Ramalho Eanes, em terceiro, com 2007 medalhas e, finalmente, Cavaco Silva com 1.522. Ainda não vi registado o custo e as implicações de vária ordem destas 8.406 medalhas. Nem no dez de Junho instituído pelo Estado Novo para distinguir os chamados «heróis» que morriam ou ficavam atrofiados, na I grande Guerra ou, entre 1961 e 1974, nos diferentes campos de guerra subversiva, medalhavam tantas e tantos. E esses eram heróis à força!...
O vendaval financeiro que assolou a frágil democracia portuguesa e que, em 40 anos de regime, arruinou as Finanças, licenciou a ignorância e destruiu a cidadania, em nome de modernidades, de valores inimagináveis, como os casamentos gays, o lesbianismo e a inversão dos valores absolutos.
Portugal medra hoje no lixo. Seja ele de natureza financeira, seja pelo rendimento per capita, seja pela fome real que grassa e que retirou a esperança aos jovens, antecipou a morte dos mais idosos e semeou a descrença, a falta de incentivos e a própria vontade de viver de quem entra na idade activa.
Não tem havido coragem para acabar com as excepções das classes sempre privilegiadas, como os advogados que são parlamentares, docentes universitários e comentadores residentes e, por isso, remunerados. Veja-se o caso de Pedro Bacelar de Vasconcelos que não tem pejo em assinar a facciosa crónica das quintas feiras. Não é caso único. Cito-o porque o leio semanalmente naquele matutino. Mas é indecorosa esta adjectivação profissional, ainda que legítima.
Claro que Marcelo também já terá passado pela mesma situação. Se o fez à base da acumulação de funções, censuro-o. Mas já deixou o ensino. E tudo ele deverá fazer para não garantir emprego aos filhos, como fez, por exemplo, Jorge Sampaio e, recentemente, João Soares.
Se nada fizer para que haja justiça distributiva, se mantiver o rumo dos antecessores, a medalhar a corrupção, os amiguinhos e as classes influentes, poderá não ser aquilo que prometeu e verá perigar a reeleição daqui a cinco anos.
Já tarda um Chefe de Estado que sirva de modelo humano, social e político.
Será através do exemplo de verdade, de coerência, de saber, de justiça e de equidade social que a democracia se exerce em plenitude.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:28


O Minho em postal

por aquimetem, em 23.02.16

Imagem (10) (2).jpg
Como o Bom Jesus do Monte, também o santuário de Nossa Senhora do Sameiro é um dos principais pólos de atracção cristã com que a cidade de Braga está presenteada. Este seu santuário mariano que teve inicio a 14 de Julho de 1863 por iniciativa do Padre Martinho António Pereira da Silva que em 1871 mandou colocar no cimo da montanha uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, tornando-se no fundador de um dos maiores centros de devoção mariana, depois do Santuário de Fátima. Condiz e honra a cidade que o arcebispo D. Diogo de Sousa no século XVI arquitectou para enobrecer a “Roma Portuguesa”, Braga.

penha (2).jpeg

O santuário da Penha é dos centros de peregrinação mais importantes do norte de Portugal, ali afluem muitos fieis sobretudo durante o Verão. Situado no Monte da Penha ou Monte de Santa Catarina, para além do santuário, o ponto mais elevado da Penha está assinalado com uma estátua do Papa Pio IX. Devido às características naturais, a Penha constitui sem duvida um dos principais pólos de atracção da cidade de Mumadona Dias, Guimarães.

viana (2).jpeg

 Antes de ser elevada a cidade, em 20 de Janeiro de 1848, a hoje designada Viana do Castelo, chamava-se apenas “Viana” ou também “Viana da Foz do Lima” ou “Viana do Minho” para a distinguir de Viana do Alentejo. Capital de Distrito e sede de Diocese, desde 1977, Viana do Castelo é actualmente um cidade notável pelo seu património paisagístico, histórico e de lazer, bem patente no Monte de Santa Luzia, em igrejas, como a sé, no rio e no mar que lhe dão valor e granjeiam admiração.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:14


Da fonte onde bebi

por aquimetem, em 03.09.15

18702875_ojD9Z.png

Nada me desgosta mais que ler ou ouvir noticias jornalísticas que não respeitem o rigor da boa informação. Mas isso acontece, e por vezes em demasia, o que me leva a ficar sempre na dúvida se é verdade ou não aquilo que o autor quis transmitir. Vem isto a-propósito de uma transcrição que fiz online de jornal Publico de 12 de Junho de 2010, em que Adelino Gomes ao encerrar uma noticia sobre a então instituída Academia de Letras de Trás-os-Montes, informava: “Para já, a Academia ficará sediada em Bragança, até porque foi a autarquia a desenvolver a ideia e a dar o mote. Mas no futuro pretende-se incluir membros de toda a região de Trás-os-Montes”. Barroso da Fonte que neste particular é outro defensor e praticante do rigor histórico e noticioso, não demorou a vir pôr os pontos nos “ii”, e assim fazer luz onde uma noticia mal dada causou penumbra.

CCE19042011_00001 FOTO e ASSINATURA.jpg

Tem a palavra, o ilustre barrosão:

Meu Caro J.A. Costa Pereira: Acabei de chegar de Barroso e vi no seu Blog e no Tempo Caminhado um texto seu, ilustrado com o mapa de Trás-os-Montes. Obviamente venho agradecer-lhe as referências pessoais. Este seu texto veio esclarecer uma situação que urge ser esclarecida. Refere-se essa imprecisão ao nascimento da Academia, em 2010. Escreveu-se nas primeiras noticias que saíram que a Academia, inicialmente, foi fundada apenas por escritores do distrito de Bragança, o que não foi verdade.

Eu próprio estive presente no acto notarial e fui o 5º subscritor. Aqueles que participaram como outorgantes, que eu lá vi a assinar o documento, foram: Adriano Moreira, Amadeu Ferreira, António Afonso, Regina Gouveia, Barroso da Fonte, Manuel Cardoso, Ernesto Rodrigues, Alfredo Cameirão, Virgílio do Rego...

A ordenação dos números deveria ser aquela que consta desse documento. E só depois seriam seriados, a seguir pela ordem de inscrição, o que não correspondeu ao que se passou. Eu, por exemplo, passei para 8º lugar, quando aquele que ficou com o nº 5, assinou a escritura nono lugar.

Não foi transparente a atribuição do número de sócios. Mas o que aqui pretendo assinalar, para que conste, é que eu participei na escritura e, como sabe, nasci no distrito de Vila Real. Por isso as primeiras notícias baralharam a opinião pública e mantenho comigo para comprovar uma gentilíssima carta- ofício nº 5275 de 16 de Junho de 2010, do Engº António Jorge Nunes, na qual me envia alguns outros elementos confirmativos.

Em lado algum eu vi ou ouvi que a Academia fosse apenas destinada a escritores do distrito de Bragança. O que se ouviu, leu e comentou no acto notarial é que a Academia pretendia congregar os autores Transmontanos...

Este seu judicioso artigo foi muito claro, bem escrito e deveria constar no blog da Academia, acrescido de um esclarecimento com as considerações que aqui lhe anexo .Um grato e sincero abraço do Barroso da Fonte”. – Ao prezado amigo o meu muito obrigado, e aos leitores do post intitulado Transmontanos de Basto, de 12-08-15, as minhas desculpas, pela falta de rigor informativo da noticia, mas culpa foi também da fonte onde bebi.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:57


Há 600 anos Portugal conquistou Ceuta

por aquimetem, em 07.08.15

phjoao1.jpg

 João I foi a décimo Rei de Portugal e o primeiro da Dinastia de Avis, cognominado "O de Boa Memória". Nasceu a 11 de Abril de 1357 e faleceu a 14 de Agosto de 1433. Filho ilegítimo de D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço. Barroso da Fonte na sua mais recente crónica, fala-nos dele, assim:

"Faz 600 anos dia 21 deste mês que o exército, comandado por D. João I, Rei de Portugal, conquistou a cidade de Ceuta, localizada no norte de África.

Desde 24 de Junho de 1128 até 1415, o país teve o encargo de fixar as fronteiras com a vizinha Espanha, entre a foz do Rio Minho e Vila Real de Santo António. Desde a Batalha de S. Mamede até à Tomada de Ceuta, decorreram 287 anos. Não foi fácil subtrair o antigo Condado Portucalense à Península Ibérica. O reino da Galiza, o mais antigo da Ibéria, nascera em 411 chefiado pelo Rei Hermerico. Até 868 Braga foi capital desse Reino que registara a presença dos Romanos, dos Suevos, dos Godos e dos Visigodos. Após o êxito de Vímara Peres na reconquista Cristã, foi-lhe confiado o Condado Portucalense que se situava entre os Rios Douro e o Minho. Em 1071, na Batalha de Pedroso, Nuno Mendes que governava esse pequeno reino, sob a influência da Galiza, manteve-se fiel ao Rei Garcia que desafiado por Nuno Mendes, este, não só foi morto, como o reino foi reintegrado na Galiza. Até 1096, ano do casamento de D.Teresa com o Conde D. Henrique, o I condado Portucalense foi reabsorvido pelo Reino galego.

Dia 24 de Junho de 1128, ocorreu a «primeira tarde Portuguesa». Na Batalha de S. Mamede, aquele território que se chamara Condado Portucalense passou a ter domínio português. E, embora só em 1179, fosse reconhecido esse novo país, os 57 anos, em que Afonso Henriques reinou (1128-1185), todo esse tempo foi preciso para fixar as fronteiras entre a foz do Rio Minho e a Foz do Guadiana.

Em 21 de Agosto de 1415, D. João I, seus filhos mais velhos: D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, mais D. Afonso, filho bastardo mas já perfilhado e seu sogro D. Nuno Álvares Pereira, fizeram o assalto à fortaleza do norte de África, cidade de Ceuta. Era o primeiro ensaio para a grande odisseia dos Descobrimentos em que Portugal se notabilizou como império mundial.

Esta efeméride deveria ser motivo de celebração nacional, por troca com festas, festinhas, romarias, sardinhadas e festivais pagãos que apenas são pretexto para entreter o povo que anda acorrentado, anestesiado e iludido com charlatães que em nome de uma democracia corrupta, corrompida e desnorteada, faz do povo aquilo que convém aos interesses do novo-riquismo.

Desagradavelmente perdeu-se o respeito pela história de Portugal. Se não fosse a cultura informática a dar às jovens gerações a ideia que têm uma cultura sólida, as mentalidades seriam mais tacanhas do que no Salazarismo mais severo.

A morte lenta, cruel e irreversível da verdadeira informação que provinha do jornalismo interventivo, denunciador e incorruptível, foi hipotecada às televisões, às rádios nacionais e seus satélites. Os grandes grupos económicos compraram todos os sistemas noticiosos, promoveram legislação apropriada aos seus interesses e, sob a capa de estatísticas académicas e científicas, trocou-se o saber fazer, pelo saber viver.

As datas históricas de Portugal foram riscadas dos mapas e calendários das faculdades de História, das redacções da imprensa escrita, falada ou vista. Queimaram-se os manuais escolares que inseriam cronologias escorreitas, conhecimentos sólidos, saber pragmático, testado e recomendado. Em seu lugar investiram-se dinheiros públicos, em comboios de manuais caríssimos que atormentam os alunos, mas engordam os livreiros, os empresários, os gananciosos que se multiplicam por cada nova lei decretada, mesmo que contrária aos interesses do povo.

Recentemente foram extintos alguns feriados de índole histórica. O 1º de Dezembro teve um deputado nacionalista que pela sua influência, tugiu e mungiu. Teve algum mérito e, embora não tenha resultados práticos, serviu para comprovar que, até quem faz as leis e por elas se bate, ignora a importância dos factos históricos.

Então o dia 24 de Junho de 1128 não é mais importante do que o 1º de Dezembro de 1640? Se Portugal não tivesse nascido (em 24 de Junho de 1128), como poderia ter sido restaurado (em 1 de Dezembro de 1640)?

Se qualquer país, velho ou novo, comemora o dia da sua fundação, por que motivo só Guimarães celebra o dia 24 de Junho, data da Batalha de S. Mamede? Não deveria ser feriado nacional?

E que sensibilidade cultural têm os programadores das televisões, rádios e jornais diários, se nem sequer mencionam nos seus noticiários, datas históricas como: dia 24 de Junho, (dia UM de Portugal), 25 de Julho (nascimento do nosso I rei), 14 de Agosto (Batalha de Aljubarrota), etc. etc.?

   Vivemos cada vez mais num país de gatunos, de corruptos, de ignorantes, de Chico-espertos, de mentirosos, de troca-tintas, de oportunistas, de sanguessugas do esforço comunitário.

Esteja o leitor atento para ver se no próximo dia 21 (Agosto), alguma televisão, jornal diário ou rádio nacional se refere aos 600 anos da Tomada de Ceuta pelos portugueses".

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:23

CCE19042011_00001 FOTO e ASSINATURA.jpg

Barroso da Fonte, escreveu:

Nasceu em Murça, em 1928. Foi seminarista e saiu do seminário «convencido de que ia para o inferno». A revista Tabu, encarte do Jornal Sol, de 15 de Junho, distingue dois Transmontanos: António Borges Coelho, historiador e Durão Barroso. Veiga de Lila e Murça. Distam a uma dúzia de quilómetros. Durão Barroso desorientou-se com a revolução de Abril. Militou ativamente no MRPP, como muitos outros que cedo se arrependeram. Oriundo de Família de Valpaços, fez carreira no PSD. E, por mais que a esquerda o conteste, foi o único Presidente da Comissão Europeia que fez dois mandatos, com o agrado da maioria que o distinguiu em várias ocasiões. António Borges Coelho foi entrevistado por César Avó e deslumbra quem gosta de conhecer as ideias dos seus heróis. Esta entrevista é um céu aberto, mesmo para quem não é crente, como ele se declara. «Cheguei a ser expulso do seminário, quase com dificuldade em falar com as pessoas. Foi através de um pedreiro que li o Manifesto Comunista, numa tradução espanhola». Diz que foi um amigo, colega de ano e de curso que o introduziu no MUD Juvenil e o matriculou no curso de Histórico-Filosóficas. Foi 6 meses funcionário do Partido Comunista. A mãe fora lojista e o pai guarda-fios. Quando os pais foram viver para Lisboa, entre o Cemitério do Alto de S. João e a Graça, ele já lá vivera 2 dois anos. A mudança não vingou e regressaram a Murça. O meu pai já tinha trabalhado na construção das linhas de Aveiro «e o meu irmão mais velho foi gerado nessa linha». Minha mãe era muito católica apostólica romana. Só no fim da vida é que ficou cheia de dúvidas. A mitologia das religiões intelectualmente não me diz nada. Em relação ao destino do homem, tenho a noção clara de que somos bocadinhos de nada no universo». No meu tempo houve uma segunda Nossa Senhora de Fátima em Trás-os-Montes. Não eram três pastorinhos, mas uma pessoa que tinha as chagas de Cristo. Um dia juntaram-se 50 mil pessoas e viram o sol a mudar de cor. Só que era gente a mais, uma concorrência muito grande para Fátima, explica Borges Coelho que remata: «E a senhora veio para a penitenciária de Coimbra. Esteve lá uma semana e continuou com as chagas. Proibiram as freiras de visitá-la; não chegou o nitrato de prata e as chagas acabaram. O padre e o médico seu irmão estavam na base de tudo isso». Borges Coelho afirma que esteve dois anos com Cunhal em Peniche. «Fui preso em Janeiro de 1956 e estive meio ano no Aljube. Depois fui para Caxias e dali para o Porto. O processo demorou cerca de 7 meses, com sessões de manhã, à tarde e à noite, com 52 réus jovens e dois adultos: Óscar Lopes e um advogado. Fui condenado a dois anos e nove meses. Com Cunhal tinha uma linguagem própria: determinadas palavras não eram as autênticas». Questionado sobre como foi quando saiu da prisão diz nessa entrevista que teve à volta de 30 empregos. O essencial foi tradutor e explicador de História e de Filosofia. Foi também fundador de «A Capital». Mas ao cabo de 2 anos saiu desse Jornal: «eu estava em liberdade condicional e queriam que eu fosse para a Rodésia cobrir a guerra colonial; recusei. Depois mandaram-me a Peniche cobrir uma visita do Américo Tomás. Quando cheguei à redação anunciei que me ia embora». Eu fui sempre muito individualista. Se for ver as minhas referências vai ver que me põem sempre como marxista e nem sequer sabem o que li. A História não se faz através da ideologia, mas a partir dos factos. A Caminho acaba de publicar Os Filipes V volume da sua História de Portugal deste Historiador de Murça que jubilou do ensino.

Nunca falei pessoalmente com este notável Historiador Profissional. Mas li e reli os 4 anteriores seus volumes da História de Portugal. Como gosto muito de Murça e dos seus «Amigos» e como colega de ano do seu Irmão mais novo, o Maestro José Luís Borges Coelho, habituei-me a ler e a valorizar a sua obra. Ainda agora pude reler no II Vol. Portugal Medievo que «no mês de Junho, na festa de S. João Baptista se travou a batalha de S. Mamede, próximo do castelo de Guimarães: obteve assim o principado e a monarquia do Reino de Portugal». Oportuno e lapidar axioma que deveria impor o 24 de Junho como dia de Portugal. Só Guimarães o celebra como feriado municipal. E tudo por falta de respeito histórico e prevalência da baixa política sobre a evidência historiográfica. António Borges Coelho é um Transmontano a perpetuar, dentro e fora de Murça.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:42


Celebramos em data errada o dia de Portugal

por aquimetem, em 17.07.15

images.jpg1.jpg

Já que não celebramos no dia 24 de Junho aquela que foi a «Primeira Tarde Portuguesa», celebremos, ao menos, no dia certo, - 25 de Julho, - a data do nascimento de Afonso Henriques.

Vou explicar isto bem para ver se alguns leitores menos esclarecidos não baralham o simbolismo histórico de Portugal e de quem fez dele um Império de quase 900 anos.

Portugal, como país independente, resultou da vitória na Batalha de S. Mamede que teve lugar no dia 24 de Junho de 1128. Completou, portanto, 887 anos no dia 24 do mês findo.

Em Portugal foi feriado nalgumas vilas e cidades, por ser dia de S. João. Só Guimarães o guardou por representar o Dia UM de Portugal. Que pena trocar uma festinha popular pelos anos da Pátria!

Recentemente o governo mexeu nos feriados e dias santos. E acabou com alguns, nomeadamente com o dia 1º de Dezembro, alusivo à Restauração de Portugal, em 1640. Ora apenas se restaura algo que já existiu, que nos foi útil, que fez ou faz parte da história de povos, de instituições, de comunidades. Quando se deu a restauração, já Portugal existia há 512 anos. Por isso é uma data sugestiva mas nunca para celebrar o seu nascimento. Isto é tão óbvio que «branco é galinha o põe».

Nunca as cabeças pensantes deste país tiveram força moral bastante para fixar as datas fundamentais de Portugal. Heróis para umas coisas, bacocos para outras!

O deputado Ribeiro e Castro, do CDS/ PP, empenhou-se em «salvar» pelo menos, o dia 1 de Dezembro. E como essa proposta pretendia honrar o legítimo nacionalismo, obteve os votos favoráveis para ficar na História da cronologia Portuguesa. Associo-me a essa recuperação, sem perder de vista que ambos os feriados se justificam. Mas, perante o dilema: entre o 24 de Junho e o 1º de Dezembro, é evidente que opto pelo primeiro. Se foi essa a «Primeira tarde Portuguesa» como a Academia consagrou, qual o motivo por que há-de aceitar-se uma data secundária, de um país que tem 887 e não 375 anos? Chamar dia de Portugal ao dia 1 de Dezembro de 1640, é desprezar 512 anos da existência de História, nomeadamente das muitas e decisivas batalhas: S. Mamede, Ourique, Arcos de Valdevez, Aljubarrota, Tomada de Ceuta, descoberta do Brasil, da Índia e da África.

Podem alegar alguns mercantilistas da história que Portugal deveria contar apenas depois da consolidação e expansão da presença portuguesa em terras brasileiras na centúria de Setecentos. «Nessa altura levantou problemas a definição fronteiriça com a área de influência espanhola no continente sul americano, uma vez que os limites impostos pelo velho Tratado de Tordesilhas (linha meridiana situada a 370 léguas a oeste de Cabo Verde) já não se adequavam às novas realidades de ocupação do território. Esta situação, potencialmente perigosa e geradora de conflitos entre as potências ibéricas conduziu à necessidade de negociações com Espanha, por forma a alterar esse limite. O resultado dessas negociações viria a dar origem ao denominado Tratado de Madrid, também conhecido por Tratado dos Limites, assinado em 1750. Do lado português as negociações foram conduzidas por Alexandre de Gusmão que conseguiu a alteração dos limites impostos em Tordesilhas em troca da cedência à Espanha da colónia de Sacramento, na margem esquerda do rio da Prata, ficando assim estabelecidas, nas suas linhas essenciais, as atuais fronteiras do Brasil. Outros apelam à batalha de Aljubarrota».

Em 1990 ergueu-se em Viseu a voz de A. de Almeida Fernandes, de que o nosso I rei nascera naquela cidade, em 5 de Agosto de 1109, para o que negou a existência do segundo Condado Portucalense, heresia maior do que a Serra da Estrela e que foi adotada pelo seu genro e seus alunos da Universidade Nova de Lisboa. Desde 2009 empunhámos espadas que não foram precisas para derrotar esses contágios que chegaram à Presidente da Academia de História a ameaçar a troca de manuais escolares. Tanta leviandade, tanta estultícia e tanta subserviência, em gentalha que muda de ideias como quem muda de camisa.

É evidente que o segundo Condado Portucalense (1096-1128) existiu. Foi com o casamento dos pais que esse Condado foi devolvido, tal como tinha terminado na Batalha de Pedroso, em 1071, pelo pai de D. Teresa. E essa tontice de nascer em 5, 6 ou 15 de Agosto, em Viseu «pátria distrital do autor da teoria», foi uma deplorável demonstração de que alguns «estoriadores» do tempo do PREC, contaminaram a historiografia Portuguesa.

Ensinem os profissionais da educação, aquilo que aprenderam nas escolas purificadas pela tradição e pela dedução das provas. Quando remendos mal ajustados, pretendam viciar o que de mais transparente, mais intuitivo e mais racional, impõe-se que se evitem esses remendos, na História de um Povo com tão bela e grandiosa epopeia.

Fiquem os meus leitores descansados: Afonso Henriques nasceu em 25 de Julho, dia de Santiago, no preciso dia, mas do ano de 1139, em que ele venceu os cinco reis mouros, na Batalha de Ourique. Esta é uma certeza sobre o dia e o mês. Acerca do local e do ano as probabilidades são da ordem dos 99%: Guimarães: 1111.

Até hoje nenhuma prova, em contrário, foi descoberta. Mesmo que novos doutores daquela instituição insistam em propalar teses e mais teses que têm por base a famélica teoria, nada existe que possa contrariar a tradição.

   É com esse argumento que um punhado de cidadãos descomprometidos com a política, com os malabarismos editoriais e nacionalismos saloios, desde o ano 2011, assinala em Guimarães, de 24 para 25 de julho esta efeméride.

                                            Barroso da Fonte

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:45

images.jpg1.jpg

Barroso da Fonte

Por troca com os jornais que desapareceram como as andorinhas em Setembro, os blogues vieram facilitar o acesso à informação comunitária que alimenta o espírito. É a cultura que faz bem e não ocupa lugar. Não terá sido em vão que Santana Lopes, quando foi Secretário de Estado dessa pasta, transferiu a Delegação do Norte, do Porto, para Vila Real, onde continua.

Quem está atento ao crepitar de ações que são do foro da cultura, conclui que não é por acaso que funciona em Vila Real o Grémio Literário; em Bragança a Academia de Letras; em Chaves, o Grupo Cultural Aquae Flaviae e o Fórum Galaico Transmontano; em S. Martinho de Anta, o Espaço Miguel Torga. Estes alguns exemplos vivos, para já nem se falar na oficialização da Língua Mirandesa, da UTAD; do Politécnico de Bragança e das Escolas de Ensino Superior: Jean Piaget de Mirandela e de Macedo de Cavaleiros. Fruto desse incremento cultural são as obras literárias e científicas que se vêm editando um pouco por toda a região Transmontana. Desde há anos, publica-se o NetBila, a partir de Vila Real que, diariamente, privilegia notícias da área dos autores, dos livros e das artes, em geral. Depois chegaram: o Tempo Caminhado, (bem ilustrado) aquimetem, farrapos de memória, diário atual, etc.

Aplaudem-se os jornais sobreviventes e os relevantes serviços que vêm prestando. E, do mesmo modo, se felicitam os responsáveis pelos muitos e ativos blogs que abrem esses privilegiados espaços para noticiar as muitas obras que vão aparecendo e que confirmam a boa forma dos criativos Transmontanos.

Esta dinâmica individual e coletiva contrasta com a incapacidade política que menospreza os criativos periféricos em benefício dos urbanos, de onde emergem os laureados de todos os prémios, medalhas e medalhões. Um exemplo recente deste imutável miserabilismo, leu-se no JN de 8 do corrente, pela mão do insuspeito doutor Alexandre Parafita, escritor de referência nacional. Ei-lo:

«Confrontada com a exclusão, reincidente, no apoio à sua atividade por parte da Secretaria de Estado da Cultura, a companhia transmontana de teatro Filandorra anunciou que vai chamar à "barra" dos tribunais aqueles que assumem, institucionalmente, tal decisão. A ideia é que justifiquem, sob tutela judicial, aquilo a que chama de "crime cultural", resultado de um concurso anacrónico, que mais parece um jogo de sorte ou azar, uma espécie de "raspadinha", em que os critérios são decididos unilateralmente, desvirtuando todo um trabalho resistente no interior do país. E, havendo crime, a reincidência torna-o mais grave. Há um ano, celebrando o Dia Mundial do Teatro, os atores da companhia, revoltados com idêntica exclusão dos apoios governamentais, e receando terem de fechar portas, saíram para a rua a vender bilhetes, a um euro para os seus espetáculos. Um gesto simbólico, denunciador dos olhares de indiferença com que o Estado olha para o interior cultural, que colheu grande solidariedade pública. Agora resolvem ir para tribunal. Certamente, no momento do arremesso de subterfúgios legais pelos putativos réus, há de perceber-se que um processo desta natureza está talhado para dar em nada. Contudo, alguma coisa de substancial já se fica a saber e aí o juízo público é infalível: 29 anos a formar públicos para o teatro no interior do país valem zero, ou quase zero, para a Secretaria de Estado da Cultura; levar o teatro a todos os públicos, em escolas, jardins de infância, universidades, lares de idosos, terreiros das aldeias, igrejas e mosteiros, cine-teatros... pouco mais que isso. E o que valem os reencontros dos escritores com os públicos, chamando as crianças e os jovens para o mundo mágico dos livros? E pôr as populações dos meios rurais a interagir com obras e autores emblemáticos como Raul Brandão, Tcheckov, Lorca, Molière, Torga, Garrett, Gil Vicente, Goldoni, Brecht, José Luís Peixoto, Saramago, Shakespeare... o que vale, afinal? Que o teatro vive de ficções, bem se sabe. Mas é perverso que tenha de sobreviver no seio de uma realidade cruel, a da indiferença de quem governa a cultura, onde, no lusco-fusco dos palcos vazios, agoniza uma mentalidade neoliberal dominada pela fealdade do seu próprio absurdo».

Quarenta anos depois do propalado obscurantismo da «província» só mudaram as moscas. Em carta de Torga a Nemésio, após o II congresso Transmontano, em 1941, em Vidago, o autor dos Bichos escreveu: aqui «onde a desgraça foi tanta que estive à beira de beijar a mão a não sei que viscondessa»...

Os sítios são os mesmos, as viscondessas já não se satisfazem com o beija-mão e a política tresanda...   António Costa, afirmou na TVI, em 9 do corrente que mais importante que a auto-estrada de Vila Real ao Porto, é a estrada de Vila Real à Fronteira. Bonita imagem pré eleitoral que todos os políticos balbuciam mas nenhum degusta. Oxalá me engane!

Barroso da Fonte

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:19


Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D