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O Tâmega e os jogos de políticos

por aquimetem, em 20.05.15

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(Ponte de Mondim)

           Com a mesma triste sorte do Tâmega, está o rio Ôlo cuja paisagem corre o risco de ser destruída pelo capricho e arrogância de governantes armados em progressistas. Há que repensar a sério. Sabemos que no caso de Fridão só Amarante se mantém em luta e preocupado com a construção. E razão tem, além do impacto ambiental, o perigo de em  caso de acidente "atendendo à distância da edificação da barragem com mais de 110 metros de altura (a 6 km de Amarante), uma onda de cheia mais alta do que a igreja de São Gonçalo demoraria apenas 5 minutos a chegar ao Arquinho". Mas como bestas sem tino que se deixam guiar, quantas vezes por uma pala, o mal é feito e sempre em nome do bem comum. A ignorância, no meio de ignorantes é rainha. Celorico não tem património que não sejam as várzeas desabitadas para defender; já Mondim é muito diferente. Tem uma ponte, construída no reinado de D. Maria I, em 1882; uma área de azenhas e engenhos de linho que a memória tem presente e guarda; tem a praia fluvial onde a juventude mondinense se banhou e aprendeu a nadar e amar o rio, como querem agora destruir séculos de história? E Atei que perde terrenos de cultivo valiosos e o que resta da sua ponte Romana.

RIO TAMEGA.JPG

(O Tâmega junto e a jusante da ponte de Cavez)

          Cabeceiras se lhe mantiver a ponte de Cavez de pé, pouco tem a perder e Ribeira de Pena é que não perde nada. Quem perde é o rio Tâmega e a Região de Basto  

 

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publicado às 21:35


6 comentários

De an a 21.05.2015 às 10:24

AFOGAR A HISTÓRIA - IN CORRE-ME UM RIO NO PEITO

DÓI-ME que um lençol de água estagnada, verde, podre e eutrofizada, da futura barragem do Fridão, vá cobrir, vá esconder, vá apagar, vá varrer, para todo o sempre, das nossas retinas esbugalhadas, a sublime contemplação da Ponte de Mondim suspensa sobre um açude coalhado de moinhos. Erecta, por decreto de Dona Maria em 1882, a jusante dos históricos quatro arcos de pedra e madeira que serviam de travessia (anteriores a 1549), teve como responsável pela construção o fidalgo José de Ataíde Portugal e Castro Pinto Coelho, Bacharel em leis, Juiz de Fora em Lamego, Juiz dos órfãos em Bragança, residente em Mondim de Basto, onde viria a contrair matrimónio com Delfina de Moura Teixeira Moreira em 22.04.1806.

DÓI-ME constatar que irão permanecer submersas "ad aetertnum", as fragas por onde defilaram as legiões imperiais de César comandadas pelo Consul Décio Juno Bruto, à conquista da Calaecia, no século II antes de Cristo, e de Napoleão, comandados por Loison, o famoso maneta das atrocidades, na Primavera do ano da graça de mil oitocentos e nove da nossa era.

DÓI-ME saber que vão ficar silenciados os ecos da batalha travada, contra os franceses, pelas heróicas Milícias da Região e pelos destemidos caçadores do Monte de Basto capitaneados pelo famoso guerrilheiro Frei António Pacheco.

DÓI-ME ver desaparecer, debaixo de água, os testemunhos das travessias de D.João II, de Frei Bartolomeu dos Mártires, dos milhares de peregrinos que de Lamego, e por Santa Senhorinha de Basto, se dirigiam a Santiago de Compostela, de Camilo Castelo Branco em fuga da Quinta do Ermo, em Fafe, com destino a Samardã, da insurreição monárquica do Padre Domingos, que ali, no meio do tabuleiro, mandou lançar os bacamartes e as clavinas ao fundo do Rio.

DÓI-ME!!... ...
(...)

LUÍS JALES DE OLIVEIRA

De an a 21.05.2015 às 13:09

...
DÓI-ME que os moinhos de linho, do pão, e o pesqueiro que El-Rei D.Dinis outorgou à Casa do Outeiro sejam, criminosamente, silenciados por uma massa disforme de escuridão.

DÓI-ME que o Açude do Padre João possa mergulhar no esquecimento levando consigo as histórias das travessias a vau, da moagem e das maquias, das incursões dos bandoleiros (capangas do José do Telhado, do Manel da Barca de Atei e do Tibúrcio da Anta), das jornadas dos recoveiros e mensageiros e das aventuras dos pescadores das chumbeiras urdidas, na Rua Velha e no Canto da Capela do Santíssimo Sacramento e da Paixão do Senhor, pelas rendilheiras de Mondim de Basto.

DÓI-ME ver desaparecer o Calhau da Pena, fraga "da cabeça" dos Celtas, petouto dos sacrifícios e das imolações, ara de decapitação dos prisioneiros e do lançamento dos corpos para a corrente.

DÓI-ME que seja desmantelada a ponte de arame de Lourido, ponte pênsil que os "Galinhas" de Codessoso, um dia, também desmantelaram, a mando da tropa de Amarante, para travar os de Vila Real.

DÓI-ME que seja arrasada a magnificência do Vau das Sete Fontes e do Vau dos Barões (entre Paradança e Arnoia) e toda a sua história inenarrável e que seja destruída a memória do assassinato praticado pelo "Quijo", crime que acabaria por o sentenciar ao patíbulo, no ano de 1840, na qualidade de último enforcado da Vila Nova de Freixieiro e do Concelho de Celorico de Basto.

DÓI-ME que se esfume o Arco Romano-Medieval de Vilar de Viando e o mítico lugar da Chavelha, braços de ligação, travessias sagradas e caminhos velhos do mundo, por onde Faros e Linceus, Bufalos, Equaesios e Souseus, Celtas, Nemetanos, Romanos, Franceses e Peregrinos de Santiago deambularam e construíram os seus destinos. Dói-me que se afoguem as figuras humanas pré-históricas e as carrancas dos celtas esculpidas nas fragas e nos patamares do romântico moinho e que se oculte, para todo o sempre a ara do Calhau Furado. ...

(...)

Luís Jales de Oliveira

De an a 26.05.2015 às 17:52

...

- DÓI-ME que se desvaneça o culto de Apolo que marcou aquelas margens, o culto das travessias, e mais tarde o culto do Senhor da Ponte, em honra do qual se viria a construir (sobre o túmulo de um centurião romano) a encantadora capela, com o mesmo nome, engalanada com pinturas naif, para albergar o antiquíssimo cruzeiro de granito, famoso pelos milagres realizados, por promessa dum casal de moradores. Para montante da Ponte de Mondim os crimes continuarão e o lençol opaco e mal cheiroso abafará, sem apelo nem agravo, as margens idílicas por onde D.Nuno Álvares Pereira monteou veados e javalis, adestrando o seu exército pessoal para a batalha de Aljubarrota,destruirá a estrutura dos Sete Moinhos, cobrirá com um manto de vergonha a Fraga Amarela dos antigos cultos ancestrais, ameaçará os vestígios arqueológicos do Castro de Canedo e Castelo de São Mamede, alagará a Ribeira de Pedra Vedra, destruirá o Calhau dos Mouros e tapará a saída da lendária Mina do Monte dos Palhaços, que corre oito quilómetros desde o alto de Nossa Senhora da Graça para desembocar no Calhau do Furato (Pedra Furada) na margem esquerda do nosso Tâmega sagrado. Dói-me que seja assim amputada a mais extraordinária lenda de tesouros escondidos deste Concelho, que seja silenciado o choro da moura encantada que guarda na gruta o bezerro de ouro,(uma cópia do bezerro que foi forjado por Aarão com os brincos e as pelicanas das mulheres judias enquanto Moisés recebia no Monte Horeb os Dez Mandamentos nas sagradas Tábuas da Arca da Aliança), que sejam riscados dos mapa todos os segredos e mistérios que só o livro Velho de São Cipriano poderia desencantar.

DÓI-ME que arrasem as poldras e o ladrilhado da travessia de Porto Carreiro, ligando Atei a Vila Nune, Canedo, Arco e Santa Senhorinha de Basto, caminho pré Romano e ligação medieval para devotos e peregrinos de Santiago.

DÓI-ME que desapareça o pré histórico lugar da Barca e de Laré e que se passe uma esponja irrevogável sobre a memória dos habitantes de Atei afogados quando regressavam das festividades de Nossa Senhora dos Remédios, no Arco de Baúlhe.

DÓI-ME conceber que um charco de água parada possa fazer dissipar o local da documentada travessia do Conde Léon de Rosmithal, cunhado do Rei da Boémia, proveniente da Polónia e a caminho de Santiago de Compostela, no ano de 1465.

DÓI-ME que se destrua, impunemente, o tabuleiro Romano sobre o Póio, o Alvadia, o Cabresto ou o Ùtero da ancestralidade, convergência de rotas imemoriais e único monumento nacional do meu Concelho.

DÓI-ME que se apague, em Mourossós, a notável história de amor que Júlio Dantas nos narrou no seu livro "Espadas e Rosas" e que no açude da Barca se esconda, dos nossos netos, a memória do ataque da quadrilha do Padre Casimiro, em Junho de 1846, a um destacamento do Regimento de Infantaria Nº 13, durante a Revolta da Maria da Fonte.

DÓI-ME pensar que mesmo distante, possa correr perigo a lendária Ponte de Cavez, construída em meados do século XIII, por Frei Lourenço Mendes, e no meio da qual se mataram a tiro, nas geniais palavras do nosso genial Camilo, o Victor de Mondim e o Lobo de Cerva, loucamente apaixonados pela Isabelinha do Reguengo, em noite dos endemoínhados irem ao Santo(levar com a imagem de São Bartolomeu na cabeça) e de beberem na fonte (sulfurosa) da áuguinha dos milagres.

Se nos afogarem a memória decerto que afogarão, também, parte da nossa identidade pois, como afirmava Fernando Pessoa - "Quem não tem a consciência certa das raízes profundas do seu ser, isto é, do povo a que pertence, de que coisa pode ter certeza ou de que coisa pode ter noção?!".

IN CORRE-ME UM RIO NO PEITO

LUÍS JALES DE OLIVEIRA

De Anónimo a 29.03.2017 às 17:05

PROFESSOR

Ensinaste-me o fogo, a água, a
terra e o ar.

Ensinaste-me a matéria, mas
também a imortalidade.

Ensinaste-me a humanidade, mas
também a transcendência.

Ensinaste-me os ninhos secretos
com pedrinhas espintalgadas,e os
espasmos dos açudes nas madrugadas
enfeitiçadas.

Ensinaste-me o instinto das trutas
arco-íris orientadas contra a corrente,
as tocas dos escalos à sombrinha dos
salgueiros, o canto dos tordos e dos
estorninhos nas veigas enevoadas, a
dádiva do perdigão pela liberdade do
bando, o matricídio da negra melra
perante a cria no cativeiro.
...

Ensinaste-me a travessia do Poço,
os saltos do "Foguete", os mergulhos
às moedas dos romeiros, os sítios das
cordas das enguias, a banda das bogas
na lua cheia e o desovar misterioso nas
cascalheiras camufladas...

(a seu pai)
In Corre-me um Rio no peito
Luís Jales de Oliveira

De Anónimo a 29.03.2017 às 17:20

OS RIOS ELEVAM, Ó SENHOR , A SUA VOZ

O Rio cativa as almas dos que mergulham nas suas águas,
E o cântico do Rio é o cântico das mágoas,
Dos enfeitiçados,
Em pranto;
Se ouvires, durante a noite, sussurrar os açudes encantados,
Sou eu que canto,
Sou eu que canto!

O Rio cativa o espírito de todos os baptizados,
Nas águas primordiais. Dos consagrados
Ao cântico de luar,
Onde já moro.
Se pressentires, à noite, os farrapos de bruma lacrimejar,
Sou eu que choro,
Sou eu que choro!

O Rio seduz e ata com grilhetas de transcendência,
Todos os que mergulham na sua essência,
E ostentam no olhar
O infinito;
Se ouvires, durante a noite, correntes a soluçar,
Sou eu que grito,
Sou eu que grito!

In CORRE-ME UM RIO NO PEITO

De Anónimo a 20.04.2017 às 16:14

NAVEGAR (TÂMEGA )

Murmuras em silêncio,
Na mansidão das tuas águas,
Encolhido...
Deslizas, medroso,
Entre vertentes
E te espraias pelo Vau
A beijar cada calhau,
Divertido.
Levas contigo a força
Com que rasgas horizontes!...
Escreves caminhos
E desenhas novas rotas...
Galgas picos e veredas
E nos açudes segredas
Murmúrios que são queixumes...
Escondes-te em vales e cumes,
Vais por aí...
E que nada se te oponha
Para voltares de novo a rumo...
Cicias-me segredos
Na corrente, violado,
E namoras com as fragas
Quando baloiças na margem.
Nada te impede a passagem!...
E depois de muitas léguas
Te propões tempo de tréguas...
Te moldas à circunstância
E te lanças, à distância,
No colo terno do mar.

NELSON TEIXEIRA DA SILVA
In Intimidades Estados D`Alma

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